quarta-feira, 18 de abril de 2012

Corram...





O fogo.
Ela sobe no palco, resplandescente como a mais bela estrela.
O fogo anuncia.
Ela anda lentamente em círculos.
O fogo anuncia sua chegada.
Ela olha nos olhos de todos, um a um.
O fogo anuncia sua chegada triunfante.
Ela venceu, e o matou.
O fogo anuncia sua chegada triunfante por entre as árvores.
Ela agora fará com que ele retorne à vida. Prestem atenção.
O fogo anuncia sua chegada triunfante por entre as árvores, cheia de desejo.
Prestem atenção ó todos vocês que deram passos até aqui. Ela o acordará com um grande beijo.
O fogo anuncia sua chegada triunfante por entre as árvores, cheia de desejo e faminta.
É agora ó tribos da Deusa espalhados pelo mundo, que ele levantará e a tomará nos braços, pois Ela o fez reviver, pela água, pelo fogo, pela terra e pelo ar. Clamai pelo seu nome, ó filhos da terra. Arranquem suas roupas e gritem por Ceridwen.
O fogo anuncia sua chegada triunfante por entre as árvores cheia de desejo e faminta. Sua pele contém todos os odores do mundo, tornando-se irresistível.
Corram espíritos caninos, corram pela floresta, mas não tirem o pensamento dela, foquem seu pensamento nEla. Ela está lá em cima, com ele, e abençoará cada passo que dermos.
O fogo anuncia sua chegada triunfante por entre as árvores cheia de desejo, faminta. Sua pele contém todos os odores do mundo, tornando-se irresistível, quase mortal.
Corram, ó filhos da floresta verdejante. Não olhem para trás pois Ela também estará no seu destino!

segunda-feira, 16 de abril de 2012




Tudo está camuflado,
Tudo é estreito, tudo é duro, tudo é escuro.
Venha aqui sente-se debaixo da laranjeira, comigo.
Dê-me um abraço,
Corra comigo por entre as árvores.
De mãos dadas.
Venha comigo lá na beira do riacho, ouvir o barulhinho da água, cantar algumas músicas sem nome.
E quem sabe molhar os pés lá.
Escreve uma poesia pra mim, daquelas que todo mundo quer um dia ter.
Venha ficar comigo.
Fale, no meu ouvido, um dia, fale o ar que você respira.
Ouça a comida que você come e toque minhas palavras.
Toque meu canto, sente-se na minha frente e apenas me observe.
Decifra-me, Olhe pra mim, olhe, olhe, olhe.
Tudo é escuro, minha cabeça está pra baixo, tudo é tão escuro e frio, e duro, e estreito.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

pétalas

Pétalas de flores roxas de um ipê voam ao vento, elas estão próximas do chão. O tempo está chuvoso, nada muito dramático. Há um som, e vertigem. Há alegria no vento de abril. As pessoas me olham. Porque elas me olham? Há livros, não tenho perguntas.
Mas insisto que há um som muito bonito, vindo de baixo, me arrepio. As cordas vibram. Hoje estou estranha, não quero fazer perguntas pois las me levariam à loucura.
No final nada existe. Mas tudo está bem ali diante dos meus olhos míopes.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Tentativas

A Ave.
Ela levanta a cabeça, olha para o céu, abre as asas suavemente, mostrando um leque de penas brancas. Uma delas se solta e voa pelo ar, enquanto ela, magnificamente dá alguns passos anda até a beira do rio.
Ela caminha, seu pescoço é longo, delgado e tênue e faz um movimento quase hipnótico junto com seu passos.
Ela leva seu bico até a água e num movimento rápido e brusco pega um peixe que estava preso à margem.
Levanta novamente a cabeça, e abre o bico o máximo que pode para engolir a caça, com dois ou três fortes espasmos ela o engole. Ela dobra os joelhos, continua com a cabeça erguida mas agora há uma curva sinuosa no pescoço. depois de umas 3 horas ela se levanta, anda mais um pouco e inclina a cabeça, seus músculos ficam tensos e suas pernas dobram. Suas asas se abrem como uma explosão e formam um ruido assustador, mas ela já o conhece e não se assusta. Seus olhos mudam de cor e assim ela se prepara para o voo.As asas elas fazem um movimento lento e ritmado, e ela desliza sob as nuvens, e some no horizonte.

O Felino

ela pisa nas folhas secas, a fêmea, seus passos são firmes e lentos. Ela olha fixamente para frente, como se nada pudesse roubar-lhe a atenção. Seu focinho está erguido, e seu rabo ereto. Ela olha para o lado lentamente e vê algum inseto grande por ali, ela corre um pouco e depois fica aos pulos, como se quisesse pegar o ar. Faz isso por alguns minutos, mas logo não interessa mais. Por trás das árvores ela avista um possível almoço. Ela espreita durante um tempo, mas não, não está a fim de correr para ela. Quem sabe mais tarde. Ela brinca com o sol. Anda até uma lareira e por fim, inicia seu mais belo movimento, como um ritual sagrado, o de sentar. E ela senta em uma belíssima posição, e ela sabe quanto bela ela é e seu peito fica à mostra e ela ainda observa ao seu redor com a mesma elegancia.